Sonhos a cores, sofridos, doloridos.

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Hoje fui atacado por uma leoa, ficou um lanho sangrento na parte posterior da cabeça, um ombro direito dorido e inchado e escoriações pela perna e pé direito. Felizmente tudo acabou bem e escrevo-vos de “ombro ao peito”.

Sempre considerei os sonhos, no sentido literal, parte integrante da vida. O meu espírito alegra-se, sofre e goza, da mesma forma, tanto acordado como a dormir. Talvez por isso, sempre nutri curiosidade por leituras que tentam explicar a razão dos sonhos e a sua interpretação. Como devem calcular li baboseiras imensas e teses muito interessantes.

De uma forma geral consigo associar factos recentes, por vezes com estranhos enquadramentos, aos sonhos que se deixam lembrar. Já ri, chorei, amei e vivi momentos tormentosos a sonhar. Tive aptidão para voar em muitos dos meus sonhos.

Os pesadelos, dos poucos que tive, abandonaram-me há décadas. Hoje, sem acordar, racionalizo o sonho e penso, se isto é um sonho e pouco interessante, toca a mudar de assunto.

Mas os sonhos já me provocaram reacções fisiológicas reais… sonhos húmidos, ehh fecha a boca, acordei a chorar… chorei mais a dormir que acordado. Acho que acordado o meu Eu consciente lida mal com as tempestades emocionais e inibe a melhor forma de as ultrapassar: – o choro.

Na casa dos 20/30 tive sonhos obsessivos recorrentes, que também já me abandonaram (e eu abandonei ou reduzi as práticas reais que a eles conduziam: – Sobre cálculo mental, que se perpetuava até à exaustão dos neurónios, sobre programação informática, com o mesmo efeito e sobre jogadas de xadrez (que abandonei definitivamente)). Com um sentido que não o original, o sonho comandou a vida.

Mas hoje foi um sonho diferente, o primeiro do género na minha vida e com consequências reais. Primeiro foi um sonho a cores (sem qualquer dúvida), depois num contexto dúbio. A personagem principal foi uma leoa (justificado, vi nos últimos dias vários vídeos de fauna), a personagem em perigo a minha avó materna (injustificado, não penso nela conscientemente há algum tempo, nunca foi a África, local onde o sonho estava ocorrendo – estava com acocorada usando uma bata azul de bolas brancas de trazer por casa, que muitas vezes a vi usar).

Contexto (o sonho ocorreu às 07:00, quatro horas após me deitar), estávamos numa urbanização em África, com todas as infraestruturas construídas (raro em África) e nenhuma construção realizada. Os passeios eram de calçada portuguesa e tinham pequenas árvores nas caldeiras para esse efeito. Todo o cenário era um mar de capim seco (vivi recentemente esse ambiente), a minha avó, como já disse, estava acocorada no passeio, entre mim e uma leoa que apareceu do nada. A leoa avança e eu faço ruídos no sentido de a assustar. Ele inflecte o caminho, parecendo querer afastar-se mas, de repente, toma a minha direcção e forma um monumental salto. Reagi saltando também no sentido dela, em voo mais baixo e tentando cair em cambalhota.

Moral da história, saltei da cama e embati no móvel da roupa relativamente afastado, com a cabeça para os pés da dita cama. Uns ais e mais ais, para atenuar a dor e acabar de acordar. Cabeça partida, ombro deslocado e múltiplas escoriações na perna direita, amanhã veremos os efeitos totais.

Já me tinha acontecido resolver alguns dos meus problemas a dormir, encontrando soluções que o estado de vigília não me aportava. Tenho agora uma estreia, arranjei problemas a dormir. São insondáveis os rumos da vida. Deixo o testemunho.

Ficou-me uma certeza, não há medo que me tolha.

J.J. Filipe da Silva, Lisboa 07 de Agosto de 2016

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Sorriso amarelo.

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Hoje acordei cedo, seja lá isso o que for… abri o olho esquerdo, depois o direito (alterno diariamente, para não os cansar) e olhei para o hálux (o primeiro pododáctilo) do lado direito. Abanei-o e fiquei com alguma certeza, matinalmente reconfirmada, de que não tinha acordado morto… ouvi dizer que acontece… o que não deixa de ser surpreendente. Entre o pachorrento salto da cama… salto!!! … chamemos-lhe abandono forçado… e as prioridades matinais… que incluem ligar a máquina do café… fui passando os olhos pelas notícias que me saltam para eles (há umas que não se mexem)… isto não anda bem (alguma vez andou?)… isto não vai a lugar nenhum (e para onde iria, com tanta falta que faz cá)… esboço um sorriso amarelo…

AMARELO!!! Porque amarelo??? Tenho que rever conceitos… expressões idiomáticas que se tornaram obsoletas (sim, até as palavras apanham pó, murcham, ficam sem sentido). Já não faço nada a 100 à hora, imposição que se colocava quando queríamos alguma coisa rápida (hoje seria ir a dormir ao volante…), já não chamo a nenhum cachorro vadio de vira-latas (… onde as encontraria o cachorro???) e chamar-lhe “vira-contentores” não me dá jeito… e agora esta, um sorriso amarelo…

Sorriso amarelo era, em tempos idos, um sorriso de fronteira, entre um ténue esgar de choro e um fraquíssimo esgar de riso. Um dia um amigo estrangeiro, num dos remotos cantos do planeta (que sendo redondo, me coloca agora um problema de localização) perguntou-me porque usávamos a expressão “riso amarelo”. Titubeei… sei lá… talvez porque os chineses riem sem vontade de o fazer… têm um sorriso de falsete… (mesmo assim porquê amarelo, que tem o chineses de amarelos… ahhh, sim… o rio) ou talvez a expressão venha da medicina antiga, do tempo em que o bem-estar e o mal-estar tinham a ver com bons e maus humores… o sorriso de um bilioso… a capacidade de rir de alguém com icterícia… uma coisa era certa, um sorriso amarelo era falta de vontade de sorrir.

Mas tudo mudou, há que actualizar conceitos. Hoje, o sorriso amarelo é o mais comum dos sorrisos, o mais famoso. Foi ai por 1963 ou talvez 1971 (decidam isso) que o sorriso amarelo se apossou do mundo como o mais famoso e aberto dos sorrisos. Ele chega-nos por mensagens de sms, é o mais divulgado e famoso dos ícones e nada que nos desagrade desmerece um sorriso grande e amarelo ( 🙂 🙂 🙂 )… lá vão três…

E agora, que discursei sobre nada, vou trabalhar… só porque faz falta 😉 (piscadela amarela).

J.J. Filipe da Silva, Lisboa 04 de Agosto de 2016

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Telefone

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Tenho amigos que têm dificuldade em perceber a minha relação com o TELEFONE, não compreendem, questionam-me, por vezes ofendem-se, de curta duração… julgo que devo a todos um esclarecimento. Para que haja entendimento, sintonia…

Nunca gostei de telefones, sou tímido ao telefone. O meu último grande envolvimento com o telefone foi na infância, com duas caixas vazias de graxa e um longo fio que encerávamos… perfurávamos o fundo das latas de graxa com múltiplos buraquinhos e a tampa com um só, por onde entrava o fio que lavava vários nós. Afastávamo-nos tanto quanto o fio permitia e fascinávamo-nos com o fenómeno de propagação do som. Eram tempos de mel, que ainda são doces nas memórias que deixaram.

Hoje tenho regras bem definidas, na minha relação com o telefone:

– Não estou ao serviço do telefone, o telefone está ao meu serviço. Acho que, se estivesse ao serviço do telefone e se isso me desse prazer, teria escolhido a profissão de telefonista;

– Não sou accionista de nenhuma companhia de telefones. Ao telefone sou lacónico e passo a mensagem necessária ou troco as impressões imperativas, na ausência de melhor alternativa. Gosto de falar olhos nos olhos e de fazer conversa de café nos cafés;

– Não priorizo um telefonema intempestivo a uma reunião agendada. Seja a reunião onde for, desligo o som do telefone quando estou em reunião. O mesmo acontece nos lugares de culto dos meus amigos, que visito com respeito, em funerais, casamentos e baptizados, em colóquios, seminários e sempre que acho que o “som” do telefone tem pior efeito do que cuspir na sopa. Critérios, da velha guarda;

– Como falo alto e bom som (ao telefone também), preciso de me afastar das pessoas para falar telefonicamente (o que por vezes parece cair mal). Mas prefiro isso ao triste espectáculo que assisto com frequência de gente a falar para a “geral”;

– Só devolvo telefonemas a quem me liga uma vez sem sucesso. Pessoas que insistem em cima da minha incapacidade de atender, por múltiplas vezes, terão que voltar a ligar nas minhas janelas de oportunidade de atendimento. Quem liga uma vez sem sucesso, recebe o meu telefonema, de volta, na primeira oportunidade;

– Tenho apreço por uma mensagem simples (sms), depois de uma tentativa infrutífera de me contactarem, com uma síntese da razão do telefonema (lembrando a linguagem telegráfica). Valorizo essas mensagens um milhão de vezes mais do que as mensagens “feitas” que recebo nos aniversários e ocasiões festivas (por vezes umas dezenas delas iguais, passe a piada que têm ou o quão bem escritas estão);

– Tenho um trabalho que requer concentração. Tenho horas em que, só estando “off”, consigo produzir. Que grau de amizade poderei atribuir a quem me nega essa necessidade?

— OK. Amanhã telefono-te e explico o resto da minhas razões 😉

J.J. Filipe da Silva, Luanda  28-07-2016

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Perspectivas

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Para farinar convenientemente a vida, você precisa tanto da perspectiva da “mó de cima”, quanto da “mó de baixo”. JFS

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a tolerância alavanca-se na intolerância de intolerâncias | José Filipe da Silva

A Europa do pós-guerra cultivou a tolerância, em todos os azimutes comportamentais, como timbre da sua elevação civilizacional. Por estranho e cacofónico que possa soar, a tolerância alavanca-se na…

Fonte: a tolerância alavanca-se na intolerância de intolerâncias | José Filipe da Silva

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Carrego seu coração comigo

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Eu Carrego seu coração comigo
(Eu o carrego no meu coração)
Eu nunca estou sem ele
(onde quer que eu vá, você vai, minha querida;
e o que quer que eu faça sozinho, eu faço por você, minha querida)

Eu não temo o destino
(porque você é o meu destino, minha doçura)
Eu não quero o mundo por mais belo que seja
Porque você é meu mundo, minha verdade.
Este é o maior dos segredos que ninguém sabe.

Você é a raiz da raiz, e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida;
que cresce mais alta do que a alma pode esperar
ou a mente pode esconder.
Este é o milagre que distancia as estrelas

Eu Carrego seu coração
(carrego no meu coração)

E. E. Cummings

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Falsa criminalização do piropo.

botão+de+rosa+vermelha+e+orvalhado[1]

Acalmem-se Senhores e Senhoras, o piropo não foi criminalizado e continua a ser a quinta-essência do galanteio. O que foi criminalizado foi o assédio através de linguagem despudorada a que, impropriamente, se foi chamando de piropo.

Consultar o que foi legislado: http://www.dn.pt/portugal/interior/piropos-ja-sao-crime-e-dao-pena-de-prisao-ate-tres-anos-4954471.html

Foi em Espanha que a palavra assumiu primeiramente um sentido pejorativo mas, se procurarem um tradutor, de espanhol para português, encontrarão facilmente a tradução: piropo = elogio.

Ora, os elogios são o alimento do ego, indispensáveis ao aumento da auto-estima e isso, não é crime em lado nenhum.

Em português PIROPO significa:
piropo | s. m.
piropo |ô|
s. m.
1. A cor do fogo.
2. Liga de cobre e ouro.
3. [Joalharia] Variedade de pedra preciosa.
4. [Popular] Galanteio; elogio; frase amável ou lisonjeira dirigida a alguém.
Plural: piropos |ô|.

Se consultarem o Dicionário Priberam online verificarão que o sentido popular muda, entre uma consulta via pc e via telefone, indo o dicionário no caminho do entendimento e sentido que a lei quer dar agora à palavra.

Nas muitas análises efectuadas recentemente é evidente o tratamento com desigualdade de género, parecendo que nunca houve ninguém do sexo masculino que tenha escutado uma frase de assédio com linguagem menos conforme à ética do seu tempo (porque até a ética é de modas). Percebam que com esta lei, a prostituição será impedida de promoção verbal e, interrogo-mo, se não será proibida de promoção escrita (entendida como piropo escrito)

A continuarmos por este ritmo, qualquer dia criminalizamos o botão de rosa, não pelo que ele tem de belo, mas pelo que vai significando, como arte de escalada social e outras.

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PABLO NERUDA – É Proibido

Pablo NerudaÉ proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso,
só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda

ORIGINAL

Queda prohibido llorar sin aprender,
levantarte un día sin saber qué hacer,
tener miedo a tus recuerdos…
Queda prohibido no sonreír a los problemas,
no luchar por lo que quieres,
abandonarlo todo por miedo,
no convertir en realidad tus sueños….
Queda prohibido no intentar comprender a las personas,
pensar que sus vidas valen menos que la tuya,
no saber que cada uno tiene su camino y su dicha…
Queda prohibido no crear tu historia,
no tener un momento para la gente que te necesita,
no comprender que lo que la vida te da,
también te lo quita…
Queda prohibido no buscar tu felicidad,
no vivir tu vida con una actitud positiva,
no pensar en que podemos ser mejores,
no sentir que sin ti, este mundo no sería igual…

Hoje celebro os meus lares, omnipresentes. Faria 97 anos o meu saudoso pai, um homem que sabia rir dos seus problemas e deixar de bom humor os que com ele se cruzavam. Durante anos, na Rádio Clube de Moçâmedes, encarnando um personagem fictício (Chico de Olhão), que acabou por lhe aderir à pele, foi fazendo rir dos problemas da cidade, que acabavam por se resolver, rendidos à crítica construtiva. Pablo Neruda sintetizou, da melhor forma, a visão do mundo que o meu pai transmitiu aos filhos. Saudades.

Lisboa, 26 de Dezembro de 2015

José Júlio Neves Filipe da Silva, em memória de José Júlio Filipe da Silva
https://www.facebook.com/jjfilipedasilva

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Carta ao Pai Natal (2015)

muros

Este Natal só quero uma violenta tempestade. Com fortes vendavais e bátegas, que varram e purifiquem. Que derrube muros, fronteiras, preconceitos, fundamentalismos, leis bacocas e de encomenda, privilégios, comendas e outras ficções dementes. Que lave a mediocridade com que grafitaram as paredes das nossas instituições, nos refresque as ideias, nos rasgue os horizontes. E que, na bonança que irremediavelmente se lhe segue, nos faça provar o mais puro mel, das florescências da justiça e da fraternidade.

2015-12-24 10.36.32

FELIZ NATAL!!!
José Júlio Filipe da Silva, Lisboa, 24/12/2015

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De onde és?

planeta

Sou de onde sou.
E não sou de lado nenhum..
Sou de onde os rios correm para o mar.
Onde nascem flores e cantam pássaros.

Sou do deserto e sou da floresta.
E da montanha alta onde escorre mel…
Sou da terra das boas pessoas…
Dos meus amigos e companheiros de jornada.

Sou do mar do irmão golfinho.
E do tubarão.

Sou de todo o sítio onde fui bem recebido
E onde me evitaram as lágrimas.

Sou do riso e do canto..
Sou da vida e do mundo.

Carlos Filipe da Silva.
Portimão, 5 de Abril 2015

SIM…
… sou de onde os rios correm para o mar…

land roversafariKalandulaOnde nascem flores e cantam pássaros...

carlos filipe da silva e kids teresinha verão 2014Sou do deserto e sou da floresta...

69632_426735954079164_2069327027_nntopa_zambezeE da montanha alta onde escorre mel…

leba311025180_10202795876097491_1105524358634206000_nCarlos_Natal_2013Sou da terra das boas pessoas…

1959360_10201655425146930_4000866596682979273_n

 

 

carlos

Dos meus amigos e companheiros de jornada.

10636078_10202795872777408_4560997067467681810_nCarlos Alberto Neves Filipe da Silva e José Júlio Neves Filipe da Silvacarlos e tottaCarlos Alberto no Tchinviguiro

 

 

 

 

 

 

Sou do mar do irmão golfinho.
E do tubarão.483498_381026691983424_1031451562_n

Sou de todo o sítio onde fui bem recebido
E onde me evitaram as lágrimas.

lipe_JJ11091174_10202848602335614_8360335848418034813_nCarlos 10-06-2014

Sou do riso e do canto..
Sou da vida e do mundo.

sem_lágrimas_Carlos

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